Encontro pedaços de mim pela casa
Encontro pedaços de mim espalhados.
Há braços de mim sobre a cama, pernas minhas atrás da porta, minha pele descansa no armário e minha cabeça dorme, sobre um travesseiro antigo.
Minha alma deve estar em algum lugar escondido ou vagueando vagabundamente pelos quartos esquecidos, onde deixei juventudes velhas, de uso.
Minha alma ainda é criança, jovem demais para a quietude adulta do meu descontentamento.
Muitas vezes a surpreendo trepada no telhado, chupando o dedo e fazendo caretas para os passantes.
Outras vezes a descubro olhando pelo buraco de fechadura das casas vizinhas, perscrutando intimidades, rindo-se à toa.
Muitas das vezes a encontro compenetrada, lendo meus livros fora de moda, lendo coisas antigas que construíram muitas das partes de mim e destruíram outras, trancada na biblioteca que nem mais visito. Minha alma gosta de reconstruir alegorias.
E eu a repreendo e ela some.
Eugênio Pacelly Alves
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